Pois, então, ele dissera: “fosse antes, nunca teria me notado. Ou se sim…”.
Pois, então, ela respondera apenas: “pára”. E talvez ela tenha parecido rude. Mas, na extensão exata da palavra pára, foi dito mais coisas. Na extensão e duração de som exatos desta palavra ela murmurou assim:

Quando (se) fosse antes, com o pouco de verdade que me deixam, sei (penso) o que iria acontecer: D’um modo ou d’outro, em uma roda extensa de conversa entre conhecidos e desconhecidos, te notaria (pois, mesmo se antes, você poderia fugir dos ditos sarcásticos-irônicos colados em você?). Pois em roda extensa de conhecidos e desconhecidos você se negaria a um dito sarcástico-irônico, um que seja?
Pois (com o pouco de imaginação que me deixam) penso que você não se negaria um (ao menos um, mesmo que fugidio) dito destes, mesmo quando fosse antes. E na roda de conversas, tendo você dito algo-sarcasmo-ironia, eu provavelmente acharia engraçado e, com a verdade que me resta, sei que eu gargalharia.
E como não te notar, se sempre busco (às vezes, ao menos) a possibilidade de sorrir?

Ela murmurou tudo isso (murmurou perdescondido, embrenhado nos vãos das letras, tudo isso grudado na grafia, tudo isso escalando o som da palavra numa tentativa desengonçada de fuga, murmurou tudo isso) precisamente dentro do tamanho e som exato da palavra pára.

2 Responses to “O quando se fosse antes ou “o que é, mesmo quando o antes fora nunca””

  1. Thiago Gonçalves Says:

    você ganhou um sorriso. (sincero.)

    eu ganhei um link.

    e, ê!, você aumentou um ponto! =)

    =*

  2. Dai Says:

    Maravilhoso. Mais um ponto :)

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