baton
Março 10, 2008
baton eu não passo. ou passo à vezes.
mas, ultimamente tenho me concedido algum lodo de feminilidade: todos os dias rímel, nas unhas esmaltes vermelhos. feminina, como mamãe sempre quis.
ao sol do meio-dia, no ponto de ônibus, feminilidade (estereotipada) me engolfou: choro sem (com forte) motivo. Dei adeus ao rímel (que escorreu) e no esmalte descascado das unhas, estava sendo levado mais do que o vermelho de deflagro. Sob o mais belo sol. Chorando assim, me senti fútil como deve ser as mais femininas mulheres. você sabe como mulher maquiada chora? chora sem emitir som e passa os dedos delicadamente sob os olhos, pra evitar que o rímel escorra e arruine a máscara (tentativa) de beleza. chorei assim (unhas vermelhas-descascadas tentando salvar o rímel) e odiei-me por isso.
quando o vizinho passou e comentou a quentura abrasiva do sol, sorri um sorriso de urbanidade.
próxima vez, vou chorar à noite, sozinha. Aí sim será permitido o rímel borrado, o esmalte vermelho descascado e talvez um tanto de baton (tal como uma puta em fim de carreira ou uma noiva abandonada à igreja: tragédias femininas). e aí sim: à noite não haverá nenhum vizinho pr’um quase flagrante.
Março 19, 2008 at 10:15 pm
Menina vc escreve muito bem.
adorei teu blog.
Bom gosto e inteligencia.]e até um bom humor. adorei
Março 20, 2008 at 1:48 am
muito… muito obrigada.