espelho de bolsa
Abril 2, 2008
Tia Cecília Meireles, pois que eu tinha uma estrela sobre a cabeça? Brilhava tanto que até me doía. Que beleza, luz cegante. Doía de tanto que rutilava. Um dia, Ninguém veio (é, esse mesmo) e assoprou. Sopro forte, ventania: meus cabelos quase se descolaram do crânio. Pós-vento e Pasmada, descobri que não era estrela, era uma vela. E qual, tia? Qual que eu sinto saudade da dor
Tia Cecília, pois que sei que a estrela e a vela d’alguma forma saiu de uma estrofe tua. Mas que não acho a estrofe, não acho. Fica parte da tua obra então:
Morena Pena de Amor (trechos)
1
Me chamam Morena
por ser minha cor
Mas meu nome é Pena,
Pena de Amor
6
Clara no escutar,
morena no responder
Morena pra te amar,
clara pra te perder
7
Por nascer Morena
Não tenho desgosto;
mas o amor me acena
e me vira o rosto
21
Quando uma morena chora,
Deus abre a sua janela,
e, sendo Deus, se enamora
e, sendo Deus, fica triste
de não estar mais perto dela
Leave a Reply