Márcia (parte I)

Abril 23, 2008

Abre a porta de casa, vê as amigas esperando do lado de fora do carro. Rebolando falsos estoicismos, ri e cumprimenta as amigas de longe - alegre, alegre. Ao caminhar até elas, pára, canta uma música e desce rebolando até o chão. Gargalham.

No carro, confere no espelho a beleza de seu rosto, maquiado perfeitamente, enquanto riem e antecipam a noitada.

* * *

Emanou descaso, a rebolar apressada, atravessando a frente da televisão e avisando-os que sairia naquela noite - sem dar-lhes tempo para discussão.

Márcia trancou-se no quarto (sorrindo largo, com a língua entre os dentes, antecipando a noitada)  e olhou-se no espelho. Caçadora noturna da urbe, sabe-se gostosa. Corre os dedos pelos cabelos lisos e cumpridos. Tem os olhos de um castanho morno, o nariz adunco. A boca larga-lânguida sorria-lhe de volta. Apertou os seios frente ao espelhos: é gostosa, ela sabe.

 

(continua…)

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