
Restara apenas que: pra tudo e pra todos [pro coraçãodamãe-que-palpita-nojento-de-tanta-preocupação] sua filha era Rubi, menina vermelha. A filha que lhe acontecera depois de velha, uma menina quase cega, mas uma menina de olhos ruivos. Ruiva a sua Rubi
— Então, você vai lá? – Margarida perguntou de novo limpando as mãos no avental; adentrando na casa exatamente sobre os passos que a filha fez. Andou pela casa, sempre seguindo os passos da filha, tentando antecipar seus gestos ou desejos, tentando facilitar tudo, vivendo somente pra ser os olhos (vermelhos) de Rubi.
Rubi circulou pela casa pequena, preparando as coisas para sair; sua mãe seguia-lhe os passos, sempre silenciosa. Quando separou a cesta para levar e se voltou para pegar uma maçã, a mãe silenciosamente colocou os potes de geléia que Rubi guardaria ali. A moça ignorou a mãe. Rubi, ainda quieta, tateou a gaveta da cômoda de seu quarto, procurando pelo laço de cabelo; sua mãe apareceu e, silenciosamente, intrometeu a mão na gaveta ao mesmo tempo que a filha e retirou, rapidamente, um laço vermelho. Sem que Rubi pedisse, Margarida postou-se atrás da filha e puxou os cabelos desta pra trás; fez uma trança comprida com o cabelo volumoso e ruivo. Usou os laçarotes vermelhos para fixar a trança. Rubi apertava os lábios, exasperada. Nada dizia.
A mãe continuou seguindo-a silenciosamente pela casa. Quando Rubi separou as sandálias que ia vestir, sua mãe arrebatou-as de sua mão e empurrou gentilmente os ombros da filha, fazendo-a sentar no sofá. Diligentemente, Margarida pôs se a calçar as sandálias em Rubi.
A moça moveu-se com violência. Desviou, com raiva, o pé que a mãe segurava para amarrar a sandália. Levantou-se rapidamente, com movimentos bruscos, o rosto crispado de raiva. No ímpeto de se levantar e se livrar de Margarida, Rubi chutou (quase sem querer, quase) duas ou três vezes a mãe, passara por cima dela (que desequilibrara e caíra no chão). Rubi parou no meio da sala, virou-se para o borrão escuro sobre o chão e, dedo em riste, gritou:
— Eu vou sozinha, ouviu?! Eu vou sozinha!
[continua]
Ai, ai… pensei que esta seria a última parte… você gosta de me deixar curiosa, né?!
Continuarei esperando ansiosamente o desfecho deste enigma…
Mas antes uma pergunta: existe algum significado para #3 e #4??? Por acaso existe um #1 e um #2 que você não postou? (pelo menos eu não vi…rs)
Beijos