Antônio. Querido.
Como senti-me (não sozinha; mas sem sua mão que.) ponderei que era momento de fazer um bonequinho de você. Poderia usar minha pele como pano para costurar o boneco. Mas, de longe, minha pele não tem em nada o mesmo tom (a mesma cores) que a sua.
Optei, já era momento (pois eu nem tão sozinha; mas eu sem poder te.), de fazer um boneco de você. E minha pele não poderia servir como pano. Não pense que eu tinha medo da dor de ma-arranca-la, pois essa dor não se compara a este meu rancor (mudo). A dor de ma-arranca-la não se compara ao vazio (desvairodasuamão: na parte de trás da minha coxa, empurrando minha perna pra cima, pra cima) da sua falta. Costurei o boneco com uns retalhos de mundo e peguei um punhado do céu que se reflete n’água d’um rio (dubiedade entre o verde e o azul) e coloquei nos olhos do boneco, para imitar a cor dos seus.
Pra fazer o boneco de você minha pele não serviria. E, talvez, o que me choca e me destrói-de-paixão é você ser-me o oposto. Peguei o punhado de céu refletido n’água e fiz os olhos do teu (meu) boneco e, sentada no chão do quarto, com as costas apoiadas na lateral da cama, pedi ao bonequinho:
- Sorria pra mim.
Chacoalhei o boneco, com um desespero meio disfarçado. Pedi três vezes, pedi cinco, pedi dezessete vezes:
- Sorria pra mim.
Em alguma delas acrescentei um desonroso por-favor. Sorria pra mim, por-favor.
E você, querido olhos-verdes-azuis-água, oposto (em tudo) de mim – de paragens tão longes terá sentido a doçura dessa macumba? Hein?